Existe uma janela ideal para oferecer alimentos alergênicos na introdução alimentar?
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Existe uma janela ideal para oferecer alimentos alergênicos na introdução alimentar?

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Quando feita de forma segura e orientada, a introdução de alimentos alergênicos de forma precoce pode reduzir o risco de alergias alimentares

 

No passado, acreditava-se que introduzir alimentos considerados alergênicos, como ovo, leite e amendoim, tardiamente poderia prevenir alergias. No entanto, já sabemos que é o contrário: introduzir esses alimentos de forma precoce pode ajudar na prevenção de alergias alimentares.

Por que mudou a recomendação?

Essa mudança aconteceu após pesquisas importantes demonstrarem que a introdução precoce do amendoim reduz o risco de alergia em crianças com alto risco para desenvolvê-las.

Hoje, entende-se que o sistema imunológico do bebê aprende a tolerar alimentos quando eles são oferecidos no início da vida.

Quando começar?

Algumas sociedades pediátricas concordam que a introdução alimentar deve começar por volta dos 4 a 6 meses, desde que o bebê esteja apto em relação aos marcos de desenvolvimento.

No Brasil, recomendamos o aleitamento materno de maneira exclusiva até os seis meses e a introdução progressiva de alimentos, incluindo os alergênicos, a partir dos seis meses, de acordo com o desenvolvimento da criança.

É unânime a consideração que não se deve atrasar a introdução de alimentos alergênicos. Ou seja: alimentos como ovo, amendoim, leite, peixe e trigo devem ser oferecidos (salvo exceções específicas) ainda no primeiro ano de vida.

A alimentação complementar deverá incluir a oferta de todos os grupos alimentares, respeitando ideologia, cultura, condições socioeconômicas, condições especiais da criança e hábitos familiares.

Como oferecer de forma segura?

Alguns pontos práticos para os pais:

• Oferecer os alimentos em textura adequada para evitar risco de engasgo: por exemplo, pasta de amendoim diluída ou em farinha; ovo bem cozido;

• Introduzir um alimento alergênico novo por vez;

• Observar possíveis reações, como manchas na pele, vômitos, tosse seca e sibilância (chiado no peito) e, se estiverem presentes, fazer contato com o pediatral;

Pode oferecer só uma vez?

Idealmente não, pois a constância também é importante! Uma vez que o alimento alergênico é introduzido, a ingestão frequente e contínua é necessária para manter a tolerância e reduzir o risco de alergia.

Ainda há muito a aprender sobre os aspectos da introdução precoce de alimentos alergênicos, mas de acordo com as recomendações atuais, quando feita de forma segura e orientada, representa uma estratégia importante na promoção da saúde infantil e na possível redução do risco de alergias alimentares.

Dra. Michelli Rodrigues

Dra. Michelli Rodrigues

Pediatra e Infectologista Pediátrica, com mestrado pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira/ Fiocruz. É médica assistente do Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA) do Instituto PENSI. Sem conflitos de interesse.

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